"Não se iluda, minha calma não tem nada a ver... Sou bandido, sou sem alma e minto..."
"Não se iluda, minha calma não tem nada a ver... Sou bandido, sou sem alma e minto..."
sexta-feira, 14 de março de 2008
Resposta ao poeta fragmentado
Faz-se de vítima,
perde o que sente.
Papel
lápis
borracha
caneta.
Uma bolsa.
Poeta preguiçoso,
ridículo.
pensa
transpira
quase que pira,
mas não escreve o que sente.
Sentidos
olhos
ouvidos
Atentos?
Momentos perdidos
e o poeta mente,
arruma desculpa,
se recusa da labuta.
Vergonha?
Sem vergonha!
As lágrimas caem
de um decepção pungente.
Oh, danado de poeta.
Escreva logo o que sente...
Fragmentos de um poeta
pensa,
contempla.
Respira,
inspira.
Expira,
inspira a ação.
Transpira,
molha a face.
Procura o lápis,
o papel.
Vasculha,
quase chora.
(silêncio fúnebre)
Bolsos vazios,
situação abjeta.
Ele mensura as perdas.
Não consegue.
Esquece.
A poesia sumiu.
Desfez-se o poeta.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Quando dois corpos ocupam o mesmo lugar no espaço
toca o chão e faz-se música.
Molha o rosto e a nuca.
Faz do dia a imagem vagal.
Dois corpos molhados se encontram,
tocam-se em chamas, emitindo ruídos.
O gozo deixa o ar poluído,
o sono chega e os corpos descansam.
E a luz dos raios de sol trazem alegria,
esquenta a água, o chão e o ar.
A cama volta a soluçar
e os corpos desnudos vertem-se em euforia.
A noite e o dia,
o sol e a lua,
O sono e o orgasmo,
O silêncio e o barulho.
Nada faria sentido;
Sem dois que se procuram e se acham
E vem o homem, transmuta-se em deus.
Transforma o amor em um sentimento frusto,
separa-se sem nada a explicar
E o choro?
surge da noite,
de um olhar triste e vacilante,
que transforma-se,
sob o olhar penetrante
de dois olhos amantes.
Não importa, distância ou insegurança,
o vil e mesquinho sentimento da desconfiança,
pois estes dois corpos
estão destinados a se encontrar.
E do encontro?
Beijos, carícias.
Toques, faíscas.
Abraços que fazem o corpo tremer,
do encanto que só a paixão é capaz de provocar.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
O ébrio e o bar (a Y. F.)
surgem dois grandes olhos:
castanhos,
da cor de mel.
Em meio ao bar,
álcool e olhares.
Conversas vulgares,
cachaça com mel para tragar.
Em meio a música,
seu canto.
Encanto de sereia,
enebria em teia.
Em meio ao luar,
o solitário vagueia.
O instante incendeia,
a esquina a brilhar.
E no mar,
emerge o mito.
Hipnotiza com um grito,
o apaixonado a chorar.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
na Laje Sentado em Dia de carnaval...
De certo, todas as existências
Na luz mais pura de nossas essências;
confluem no furor:
O carnaval, é carnaval
Nem de samba, nem de breque
Pulso, ritmo torto,
que em voz entoa.
Carnaval, esquece-me!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Quando morre o amor...
incha o peito,
dói a alma,
deixa rubro o rosto,
e faz ferver a mente...
Não adianta antibióticos,
analgésicos,
ou até mesmo anti-inflamatórios.
Quem dera o corte do bisturi,
com seu canto seco e preciso,
sarjar esse mal.
De maneira inexplicável,
verte-se em câncer,
transforma-se em ódio.
Célula por célula enche-se de rancor;
as glândulas produzem tristeza,
que se espalha pelas veias.
O ar repleto de indiferença sufoca,
mágoas causam indigestão,
as angústias não saem pela urina
e ficam presas no coração.
O corpo tenta lutar;
o fígado não mais funciona,
rins, pulmões e cérebro também.
Não adianta prescrever transplante.
O único atestado, mais uma vez, é o da morte.
sábado, 3 de novembro de 2007
Chapaixão...
E a mente não ousa pensar;
Só age.
Tiro solto no ar,
Imagem congelada;
Suicida, com sua grande paixão
E, lentamente, a bala teima andar;
Aproxima-se,
Colide
Morto! Estendido no chão.
Já não pode mais respirar...
03/11/2007
Pinky
domingo, 2 de setembro de 2007
Plenitude
O soluço incontido
A lágrima vacilante
O coração abatido.
Seu sorriso, seu olhar
Sinto-os constantes
Saudades no ar
Do seu rosto infante.
As palavras proferidas
O choro no instante,
Essa vida desmedida
De distâncias rompantes.
Quem sabe um dia
A mais triste alegria,
Façam-se os mundos distantes
A vizinhança incessante.
Voltaria a ser pleno
Neste mundo nefasto,
Ao ver seus olhos
Brilharem no espaço.
Inevitável tristeza
Que me abate e dói,
Incomparável beleza
Que seu sorriso constrói.
Seu jeito menina
Cativa-me, ensina-me
A pureza da vida
Minha alegria vivida.
Nesse ínterim desfaço
Meus versos, nem alegres nem tristes
Sentimentos intensos
De um garoto que existe...
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Anatomia dos amantes...
Olhando teu rosto,
Penetrando nos teus olhos;
O brilho intenso do teu sorriso,
Impede-me de dissecar o teu corpo.
Sou anatomista, disseco almas.
Meus olhos te analisam,
As mãos se insinuam
E você na gélida pedra.
Quero corta-te.
Não com bisturi
A mim só me interessam palavras e carícias.
Entrega-te, não te machuco;
Entrega-te, eu te darei prazer;
Entrega-te e não tenha medo;
Só disseco os sentimentos.
Intestinos, baço, pâncreas, fígado?
Não.
Olhares, sorrisos, alma e orgasmo.
E no fim, só resta o prazer de te colocar no colo;
Beijar-te e amar-te.
E, por fim,
Ficar com meu barco a deriva.
Solto na maré alta.
Solitário pirata que ama;
Que não abandona o barco.
Seja na calmaria,
Seja quando se vê em naufrágio.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Sexo perante o sexo... Amor perante o amor.
O que tem no sexo?
Tudo antes, o sexo
Que mal faz, sexo
Eu quero fazer, sexo
O que é, o sexo?
Viver de sexo
Fazer o sexo
Pensar no sexo
As diferenças do sexo...
Onde está o amor, senão o sexo...
Existe amor sem sexo?
Qual a diferença entre amor e... o sexo?
Fazer amor, ou sexo?
Sexo é vai e vém, repetição...
E o amor? Simples menção
Uns dizem, quero amor, não quero sexo...
Outros: só sexo
E eu? Amor e sexo?
O que vale mais, amor ou sexo?
Amor ou sexo, cada qual seu momento
Ora quero amor
Ora sexo
Desejo sexo todos os dias
E o amor
Uma, no máximo duas ou três vezes na vida...
sábado, 25 de agosto de 2007
Angústia
Todas as sensações singulares de ausência
Confluem em um cavalar sentimento;
De total decadência
Garganta travada, em sufocamento.
Todos os pensamentos vagos e distantes
Uma esperança de improváveis acontecimentos;
De intermináveis instantes
Peito apertado, em sufocamento.
De que vale minha angústia?
Por hora me destrói
Impede-me de reagir e refletir
O que é real?
As palavras fogem
Uma cama, um cigarro,
Luzes no monitor
Não insista, diz minha consciência;
Só resta o silêncio...
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Só me resta o cigarro
Nem beijo, nem escarro
Nem mão, nem pedra
Sem chão e em queda
Só me resta essa vontade de fumar
Queria até beijar
Essa dor repetida no peito
Fumar até que o câncer me adoeça
O câncer de sofrer repetidas vezes
É melhor jogarem pedras na minha cabeça
A paixão para mim é estranha
Cheia de palavras e momentos desconexos
Cheia de dor e cigarros
Chega de dor e cigarros!
Vou desligar esse monitor
E parar de falar do dissabor
Vou ligar para você
E te dizer:
"Vamos, saia comigo,
eu não mereço esse castigo"
Pronto, acabei, te liguei!
Caixa postal, que droga!
Recado dado e só me resta aguardar a resposta...